Archive for the ‘Espaço Phill’ Category

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Tempos Modernos

08/12/2009

Lulu Santos um dia escreveu em Tempos Modernos que via a vida melhor no futuro. Via a vida mais farta e clara. Via um novo começo de era. De gente fina, elegante e sincera.

Lulu Santos fazia previsões baseado no que via acontecer à sua frente. Mas será que o que acontecia aquela época era tão incomum a ponto de nos deixar duvidosos do que poderá vir nesses próximos “tempos modernos”? Tempos em que um ex-ídolo assume e traz o título para o time, tempos em que um moleque e um veterano voltam como ídolos e fazem a história de um campeonato, tempos em que uma nadadora é eleita presidente de um clube inteiro?

Confesso que pouco li sobre o planejamento da querida Patrícia para o próximo triênio do Flamengo. E você talvez pode não estar nem aí. O fato é que a política deste time tem influenciado e muito a maneira como você andou torcendo nos últimos tempos, meu caro amigo. Edmundo dos Santos Silva criou o elenco dos sonhos e ao mesmo tempo afundou o time. Márcio Braga fez contratações desastrosas que contou até com peraltas e el tigres. Delair e seu vice conseguiram até um título andando no sapatinho.

A partir de amanhã Patrícia Amorim é a nova presidente do Clube de Regatas do Flamengo. A mesma Patrícia que defendia com unhas e dentes a permanência e a valorização do esporte olímpico dentro do clube, principalmente com Diego Hipólito. A mesma que foi pivô do caos instalado quando levantou a taça na comemoração do título nacional do Basquete rubro-negro ano passado. Nada que tenha sido culpa dela, a tentativa aqui é de apenas pontuar as participações mais, digamos, “populares” da moça.

Sabe, acho que a moça tem talento pra comandar o time. E caso faça o que pretende, mantendo Marcos Braz na vice-presidência para cuidar de assuntos dirigidos a futebol, vai ganhar minha confiança. Porque parece que Patrícia é do tipo que não sobe em muros, toma partido e principalmente, toma atitudes. Mas vai precisar saber balancear a menina dos seus olhos (olímpicos) com o carro chefe rubro-negro, obviamente, o futebol.

Talvez não ter um torcedor apaixonado na liderança seja bom, pra variar. Flamenguista sim, mas obcecado não. Nada de preparar a “festa do hepta” meses antes da decisão. E como diria Lulu Santos, vamos viver tudo que há pra viver… vamos nos permitir.

Boa sorte Patrícia.

Fellipe dos Santos, o Phill, é flamenguista, não entende nada sobre política mas sabe discernir sobre quem mexe com seu clube do coração.

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Me processem, gritarei o Hexa!

02/12/2009

Passagem comprada e estou pronto para ser mais um rubro-negro carioca no Rio de Janeiro em busca do Hexa.

Sim, porque no dia 5 de dezembro, não serão apenas 11 jogadores que estarão torcendo pelo hexa flamengo. Serão mais de 34 milhões de pessoas em busca de um único desejo: fazer de segunda-feira feriado nacional.

Claro, porque se 34 milhões de pessoas não conseguirem caber em si de tanta alegria, não conseguirão trabalhar, e se não conseguirem trabalhar, então é melhor o país decretar logo feriado.

Eu sei, tem time vindo na cola, no retrovisor. E eu não quero saber quem vai entregar pra quem, se mané vai pular ou não no pênalti, ou se vão ao tribunal recorrer da escalação de fulano. Eu quero é ver o Mengão para o alto e avante, em busca do título que metade do time ainda era muito novo para ver o próprio time ganhar.

São 17 anos sem que um capitão do Fla erguesse uma taça de tamanha magnitude. Demorou séculos para esse clube se acostumar com o campeonato de pontos corridos, campeonato esse que começou a expor os problemas administrativos de todos, quando isso era mero detalhe na época do mata-mata.

Não consegui ingresso ainda, e graças a Deus não me meti no meio daquela zona que foi a fila de hoje, que deixaria a Madonna roxa de inveja. Mas tenho certeza de que pelo menos no Estado correto eu estarei para comemorar. Se precisar esperar os rubro-negros sairem do estádio para cantar euforicamente, estarei lá.

E espero ser mesmo processado pelo timinho genérico que anda espalhando que vai à justiça contra quem insistir em afirmar que o Flamengo será hexa caso vença o campeonato. Como disse Andrade, o Tromba: “É por isso que eles caíram e nós estamos na primeira divisão”. Só existem duas entidades que teimam em não aceitar o Flamengo hoje como penta, e obviamente os dois estão ligados diretamente ao caso. Um porque acha que ganhou o Brasileiro em 1987, feito que nunca mais conseguiu “repetir” e o outro porque jamais iria admitir que suas camisas “Penta Único” não significam nada. Esse último, claro, me refiro à era pós-Carlos Miguel Aidar, ex-presidente do Clube dos 13 e do próprio clube que hoje diz que é Único. Aquele homem sim sabia quem era o verdadeiro campeão. 

Preparem a breja, ponham o gato no espeto, que domingo é dia de atropelar. Sejam porcos, santos ou sacis.

SRN.

Fellipe dos Santos, o Phill, flamenguista, pegará a ponte aérea na poltrona 10, camisa do Imperador, que dará o gol do título.

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2009: ano fashion (Parte 3 – Sport e Inter)

01/12/2009

Enquanto se espera o dia fatídico, a entrega da taça, seja lá pra qual time for, enquanto ouvimos dezenas de “Grêmio entrega” e “Ele não pulou no pênalti”, continuo trazendo pra vocês a nossa válvula de escape fashionista, no sentido futebolístico da palavra. Tentar entender o porquê dos clubes inventarem literalmente tanta moda quando o assunto é o uniforme do seu time. E os dois clubes abaixo escolheram o ano de 2009 como, como posso dizer, um ano dourado.

Sport

O Sport Clube Recife conseguiu em 2008 um feito bem feito. Voltaram à Libertadores. Juntamente com São Paulo, Fluminense, Palmeiras e Cruzeiro, o Sport foi em busca de um título continental, e para tal, lançaram uma camisa em homenagem a essa meta.

Chamado de Leão Dourado, o rubro-negro pernambucano adotou em sua camisa um tom 100% ouro. A nova camisa possuía largas listras horizontais em dois tons de dourado. Tão dourado que ficou irreconhecível. Mas essa era a idéia do clube, que queria dar à sua torcida um presente e uma homenagem por terem acreditado no time durante a conquista da Copa do Brasil. Foi estreada durante a partida em Quito contra a poderosa LDU.

A grande maioria dos torcedores adoraram a novidade, e hoje a camisa foi adotada como uniforme reserva do time. Como grandes feitos não podem passar despercebidos, junto à camisa, a entidade lançou um DVD inteiro só sobre a conquista da Copa do Brasil. Talvez se um dia vencer o Brasileirão de verdade terá uma sessão no Cinemark também (ironia mode: on).

Internacional

Se os pernambucanos foram atrás de seu “sonho dourado”, o Inter não ficou atrás. Em busca de uma maneira de homenagear o centenário do clube, o colorado também foi muito criativo. Pintou sua camisa de dourado.

A peça apresentava o novo escudo oficial, com o símbolo do time e a data de fundação, sem estrelas, e o número vermelho nas costas. Com a idéia de vendê-la apenas durante o ano do centenário, os torcedores colorados correram para compra-la, para torcer por seus jogadores durante a estreia da camisa no campeonato Sul-Americano.

– Este uniforme representa o que é o Inter: 100 anos de glória. A combinação de cores ficou muito bem, de forma que o dourado representa as conquistas nestes 100 anos e o vermelho, cor do clube, representa toda raça e garra dos colorados. Este uniforme representa nossa história, está tudo ali – destacou o vice-presidente de marketing do Inter, Jorge Avancini.

Apesar da bola cheia em colocar a bela modelo Luize Altenhofen para lançar a camiseta, a vestimenta não trouxe exatamente muita sorte ao Inter. Parecendo um time de 11 Homens-de-Ferro em campo, misturando dourado e vermelho, o Inter caiu diante do Universidad de Chile, empatando apenas em 1 a 1, pelas oitavas-de-final da competição.

Mudanças totais mas consideradas simples, nem chegam aos pés do que fizeram os últimos times que falarei na próxima coluna, como o singelo Cruzeiro degradê e o Verdão que virou Azulão.

Fellipe dos Santos, o Phill é flamenguista, e pra quem interessar possa, estará no RJ na grande final, com ingresso ou sem ingresso.

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2009: ano fashion (Parte 2 – Corinthians e Fla)

25/11/2009

Continuando, para tentar aliviar a pressão do embate de gigantes no blog, vem a série fashion mais macho do mundo. Damos seguimento à exploração das maluquices inventadas pelos tais departamentos de marketing  e suas respectivas fornecedoras de material esportivo.

Corinthians

Um dia, durante a campanha “árdua” do Corinthians na série B, algumas pessoas resolveram levar a sério a expressão “corinthiano roxo”. E numa tentativa de ganhar mais dinheiro com o que eu chamo de rebaixamento mais lucrativo da história, criaram a camiseta roxa do Timão.

Um choque para alguns corinthianos verdadeiramente roxos por dentro, mas totalmente alvinegros por fora. Roxo nunca foi a cor do clube. Aos poucos, apoiados na força do time para voltar à primeira divisão, o uniforme foi aceito. Virou terceira camisa e agora em 2009, a camisa está de volta.

Tratada como uma adaptação da primeira camisa, a vestimenta ganhou um cara, digamos, internacional. Com o surgimento de listras pretas verticais, a camisa adotou um ar Inter de Milão de ser, e detalhes em dourado (nota: falaremos sobre a apelação de detalhes dourados em uniformes de 2009 no próximo post), como o logotipo da patrocinadora Batavo.

Mas engana-se quem imagina que o Corinthians parou com a adaptação das maluquices por aí. Não bastasse tentar repaginar a camisa roxa, o Timão foi atrás daquela que considerou uma das melhores ideias do clube: a camisa-carômetro.

Baseada na premissa de vender a 400 fanáticos pelo time um espaço para aplicação de sua foto no peito dos jogadores, o clube lançou em 2009 a segunda edição da camisa “3×4”. Mais alguns muitos pagaram a bagatela de R$1000,00 e estamparam seu RG na camisa dos atletas. Peço que prestem muita atenção na foto, cliquem nela para ampliar. É imperdível ver os rostos adeptos de tal ação de marketing.

Para completar, um detalhe que não passa despercebido. O uniforme do Corinthians atual, versão preta e branca, conta hoje com mais anunciantes que os classificados Primeiramão. São exatamente 6 marcas a estampar a camisa alvinegra. Que continue rendendo bons frutos ao time (Roberto Carlos?)

Flamengo

O Flamengo passou por poucas mudanças em 2009 em relação a seu uniforme. Apesar da separação de 25 anos com seu principal patrocinador, que levou o time a jogar muitas rodadas com o uniforme limpo, e do rompimento do longo contrato com a fornecedora de material esportivo, o Flamengo conseguiu manter o padrão decente de sua camisa.

Mas por que o Flamengo está nesta lista então? Simplesmente porque na maioria das vezes, o desespero leva as pessoas (e as empresas) a trocar os pés pelas mãos. Perto da decisão do clube de não renovar o contrato, a Nike tentou uma última vez impressionar a torcida rubro-negra com uma nova versão da camisa. Surgia a camisa Freddy Kruger.

Alguns vão dizer que esta camisa foi lançada no ano passado, mas foi no fim do ano e ficou tempo suficiente para ser lembrada ainda em 2009. Lançada no jogo contra o Coritiba, o time perdeu por 1 a 0, e além dos torcedores já não gostarem muito de sua aparência, deram à vestimenta o estigma de azarada.

Bastou dizerem isso e Kleber Leite avisa a todos que a camisa estaria aposentada. Isso mesmo, aposentada. Depois de perceber que aquele time perderia até mesmo vestindo a armadura de ouro de sagitário (momento piada nerd), a camisa foi trazida de volta pelo presidente Marcio Braga. O problema era que a camiseta tinha listras demais, e lembrava o horrendo personagem Freddy Kruger, ganhando piadas em tudo quanto foi site esportivo. Depois de algum tempo, com a Nike fora da jogada, o Flamengo conseguiu o acerto com a Olympikus, que trouxe ao time uma nova maneira de se vestir o manto sagrado, mais morderna e mais bonita.

Fiquem de olho que voltaremos a discutir o assunto, trazendo os purpurinados dourados Inter e Sport.

Fellipe dos Santos, o Phill é flamenguista, e colabora sempre que pode pro Fla&News

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2009: ano fashion, Parte 1 – Vasco e Fluminense

21/11/2009

Para aliviar um pouco a tensão entre candidatos a título e possíveis rebaixamentos, aproveito para mudar de papo, explorar novos assuntos e pra isso acontecer, tentarei fazer um levantamento do que foi o ano de 2009 em relação às novidades em uniformes de clubes.

Diferente de muitos anos, em que vira e mexe algum time faz alguma extravagância com um de seus uniformes, geralmente o terceiro, o ano de 2009 foi “inspirador” para muitos clubes e muitas surpresas agradáveis ou não aos olhos apareceram nos gramados brasileiros.

Vasco

Pode-se dizer que o Vasco foi o que mais brincou de estilista no campeonato Brasileiro da série B. Logo no começo do ano, em parceria com a Champs, o clube cruzmaltino apresentou à sua torcida o que seria seu novo uniforme para a temporada. Tentou introduzir de leve uma opção que considerava “mais moderna”. Causou e não causou pouco. As polêmicas giravam em torno do estatuto do clube porque distorcia a faixa que o Vasco sempre carregou no peito. Curiosamente o segundo uniforme sequer apresentava uma faixa de destaque. Ousadias à parte, a camisa foi mesmo lançada mas não durou muito. Por estratégia, o uniforme tradicional também estava disponível para ser usado imediatamente.

Ao fim do campeonato, na 35º rodada, numa partida contra o Campinense, o time resolveu presentear a torcida com uma peça em homenagem à volta para a Série A. Mais uma vez, alguma mão santa resolveu brincar com o layout da faixa e a colocou na vertical. De alguma forma, talvez por conta da alegria do acesso á elite, a camisa dourada e preta, fabricada sob tecnologia de ponta, foi campeã de vendas.

Fluminense

E por falar em faixas, a surpresa que talvez nenhum tricolor esperava por aparecer nas Laranjeiras. Depois de 101 anos desde o primeiro tricampeonato carioca, o clube trouxe de volta a camisa que os bisavós viram no gramado, que contam com duas listras diagonais em verde e grená, numa base essencialmente branca. O segundo uniforme, mais tradicional, lembrava o uniforme anterior. O interessante no caso deste uniforme com listras diagonais é que apesar da tentativa de homenagem à longíqua camisa de 1908, as listras naquela ocasião vinham da direita para a esquerda, já a camisa comemorativa, trazia as listras totalmente ao contrário. Ao que pude apurar, o plano era manter distância à qualquer semelhança com a camisa do Vasco. Tricolores me corrijam se eu estiver errado.

Veremos no próximo post as tentativas de Corinthians e Flamengo de “melhorar” seus uniformes.

Fellipe dos Santos, o Phill é flamenguista, e colabora sempre que pode pro Fla&News

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Taça: endereço não definido

17/11/2009

Não sou profissional quanto um Ledio Carmona, nem tão assuntado quanto o Arthur Muhlenberg, mas acho que consigo fazer uma análise entre esses três fortes candidatos a título do Brasileirão 2009. São Paulo, Flamengo e Palmeiras tem 3 pedras no sapato até o último jogo, para definir seu futuro.

O São Paulo tem alegado que o caminho dos outros 2 é bem mais fácil. Eu até assinava embaixo algumas rodadas atrás. Porque o SPFC tinha o cascudo Botafogo e Sport fortíssimos  candidatos ao rebaixamento, desesperados por tirar pontos de time alheio. Com a recente queda antecipada do Sport, o único desesperado da sua tabela de jogos é o Foguinho, jogo que acontece fora de casa.

SÃO PAULO: -> Botafogo (fora); -> Goiás (fora); -> Sport (casa)

O retrospecto do Foguinho em casa é preocupante. Já ganhou 6 vezes, já empatou 6 e perdeu 5. Não dá para prever como será o confronto, porém imagino que dependendo do resultado do jogo do Fluminense que acontece ao mesmo tempo, o Botafogo poderá tirar ânimo para vencer o São Paulo. Quanto a Goias e Sport, vejo que ambos já não se preocupam mais em mostrar serviço. Ambos ja tem futuro definido, Goias classificado para SulAmericana e Sport rebaixado e ainda chorando as pitangas.

FLAMENGO: -> Goiás (casa); -> Corinthians (fora); -> Gremio (casa)

O Flamengo passou pelas pedreiras mais preocupantes, os jogos fora de casa e confrontos diretos. A partir de agora, o Mengão tem 2 jogos em casa e 1 fora, contra o poderoso (?) Timão. Como já disse, Goiás não está mais afim de brincar, já guardou os brinquedos na caixa e foi pra cama. Acho que dá Flamengo. Contra o Corinthians, provavelmente no interior de SP, fora dos domínios corinthianos, a conversa é outra. É um jogo esperado durante o ano todo, e um encontro entre Adriano e Ronaldo. Porém o Timão tem tropeçado demais em casa, assinalando aí a derrota incrível para o Goias por 4 a 1 em meados de setembro. Meu palpite é que o jogo contra o Grêmio será um jogo de final, para decidir na última rodada o campeão do Brasileirão. E com a torcida inteira em casa. Arrisco pra lá de 85.000 pessoas no Maraca.

PALMEIRAS: -> Grêmio (fora); -> AtléticoMG (fora); -> Botafogo (casa)

Pedreira? Imaginaaaa.

O Palmeiras terá uma dfiícil provação pela frente. De todos é o único que tem confronto direto nesta etapa final. Se passar pelo Grêmio, que ainda não perdeu dentro de casa, o Palmeiras pega o Galo, que está a apenas 3 pontos de distância dos alviverdes, em pleno Mineirão. O Flamengo provou que o Atlético não está mais em boa fase e que a vitória não é impossivel. Se perder, sai de vez da corrida pelo título. Para terminar, tem o Botafogo, que dependendo de suas próximas partidas, pode estar com sangue nos olhos no último jogo.

Conclusão e palpites: O São Paulo provavelmente passa pelo Goiás e pelo Sport, mas o Botafogo definirá a disputa pela taça tricolor na próxima rodada. Imagino que se tropeçarem e o Flamengo assumir a liderança, ninguém o tirará de lá. Palavra de analista, não de torcedor. Pois dependerá apenas do futebol que o Corinthians apresentará e a disposição do rubro-negro Ronaldo em não titubear por causa do possível primeiro título flamenguista que poderá surgir este ano. Tem também o fato do Corinthians não ser muito a favor de ter SPFC ou Palmeiras campeão, mas não entraremos nesse mérito. Não citei aqui o Galo, Cruzeiro ou Inter como forte candidato, porque acredito que o Muricy se desdobrará em 5 para continuar candidato até o final. Mas se o Palmeiras perder ou empatar com o Grêmio já na próxima rodada, São Paulo e Flamengo entrarão num cabo de guerra, puxando a taça cada um para seu lado.

Fellipe dos Santos, o Phill. É colunista do Fla&News, e neste momento uma mistura de vidente com jornalista esportivo.

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Como que um clube totalmente zoneado como o Flamengo consegue essas arrancadas fenomenais?

14/11/2009

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No Flamengo é assim. Como dizia Lamartine “… ele me mata, me maltrata, me arrebata de emoção, no coração.” Sim, ele estava falando da regata, mas pode ter certeza, nenhum verso cai melhor para o futebol como estes.

Nosso presente e atuante Carlinhos deixou essa pergunta outro dia em seu comentário totalmente relevante. Como pode um time famoso por suas bagunças e suas dívidas conseguir uma reviravolta sempre aos 48 do segundo tempo nos Campeonatos Brasileiros?

O Flamengo não tem estrutura, ponto. O Flamengo nada em promissórias, ponto. O Flamengo é prato cheio para imprensa marrom, ponto. Outros clubes não apresentam tanto como o Flamengo nesse aspecto. Mas comparado ao Flamengo, nenhum time apresenta tanto sentimento quanto esse Clube de Regatas.

Certo, sentimento tem sido uma palavra muito vascaína, mas é a melhor para ser usada aqui. Veja quantos jogadores não querem jogar no Flamengo um dia. Alegam que a sensação de entrar em campo com uma torcida de massa deve ser incrível. Quando Lamartine disse em suas palavras “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”, ele sabia que os flamenguistas eram uma raça que não largava do pé do time nem por decreto. Como sarna.

Estive presente em alguns jogos do Flamengo este ano, e repudiei a ação imbecil de gente que vaiava um jogador em pleno jogo, às vezes mesmo em meio à uma vitória. É que no Flamengo não tem espaço para palhaçadinha, palavras de Joel Santana. Para jogar, tem que gostar. É difícil para eu e você, assalariados, acreditar, mas existem sim profissões em que a alegria de trabalhar é maior do que o pagamento no fim do mês. Principalmente quando sua renda ultrapassa a de um país como Trindad e Tobago. Prova disso é um time manter o primeiro lugar (2008) por 10 rodadas com 3 meses de salário atrasado.

Pense em uma briga entre marido e mulher. Precisa acontecer, certo? Senão valores não são relembrados e o amor não é fortalecido. A mesma coisa por incrível que pareça acontece com a torcida do Flamengo e seus torcedores. A torcida, como a esposa que por um pequeno detalhe arranja uma enorme briga e o time como o marido que prova seu amor a cada instante. Isso fortalece a relação e dá aos jogadores a vontade de provar à torcida e a si mesmo o valor que tem e que pode oferecer.

E a zona do clube, Phill? Fala da zona, vai!

Quer saber um dos principais motivos que faz o Flamengo de vez em quando meter os pés pelas mãos? Exatamente o sentimento. Felizmente ou infelizmente temos no poder amantes rubro-negros, que às vezes colocam o amor ao time à frente de decisões administrativas importantes. Tem sido assim durante anos. O papo de transformar o clube em empresa tem como ponto forte justamente eliminar o fator paixão de dentro das paredes comerciais e deixa-la dentro de campo. Apenas.

Como que um clube totalmente zoneado como o Flamengo consegue essas arrancadas fenomenais?

Não entra no time aquele que não honra a camisa. E os que entram não demoram a sair. O Flamengo reinventou o significado de manto sagrado, e muitos times vem utilizando copiosamente. Mas são muitos os botafoguenses, colorados, atleticanos e etc convertidos em flamenguistas depois de experimentarem o NOSSO manto sagrado.

E hoje as arrancadas acontecem principalmente porque a cobrança da torcida é maior. A maioria dos rubro-negros desta geração, entre torcedores e jogadores, não viu o time triunfante em um campeonato de grande porte. E querem ver. Para eles, a estigma de candidato fixo a rebaixamento já passou, agora resta superar a imagem de cavalo paraguaio que caiu sobre o time nos últimos anos. O torcedor quer ver taça. E acredite, os jogadores também.

Quer fazer um time ter vontade de sacodir a poeira e dar a volta por cima? Antes de tudo crie uma família. Faça como times de três cores que alimentam o rodízio de jogadores e o 14º jogador do time, “a paixão pela camisa”, nunca vai existir. (ok, pequena provocação, rs)

Um brinde aos jogadores que habitam a Gávea até hoje e sonham com o caneco nas mãos em dezembro de 2009. E como diz Arthur Muhlenberg, chega de humildade. Eu acredito na taça.

Fellipe dos Santos, o Phill, é flamenguista colaborador do Fla&News e responde a qualquer dúvida que exista sobre o Mais Querido.