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Como que um clube totalmente zoneado como o Flamengo consegue essas arrancadas fenomenais?

14/11/2009

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No Flamengo é assim. Como dizia Lamartine “… ele me mata, me maltrata, me arrebata de emoção, no coração.” Sim, ele estava falando da regata, mas pode ter certeza, nenhum verso cai melhor para o futebol como estes.

Nosso presente e atuante Carlinhos deixou essa pergunta outro dia em seu comentário totalmente relevante. Como pode um time famoso por suas bagunças e suas dívidas conseguir uma reviravolta sempre aos 48 do segundo tempo nos Campeonatos Brasileiros?

O Flamengo não tem estrutura, ponto. O Flamengo nada em promissórias, ponto. O Flamengo é prato cheio para imprensa marrom, ponto. Outros clubes não apresentam tanto como o Flamengo nesse aspecto. Mas comparado ao Flamengo, nenhum time apresenta tanto sentimento quanto esse Clube de Regatas.

Certo, sentimento tem sido uma palavra muito vascaína, mas é a melhor para ser usada aqui. Veja quantos jogadores não querem jogar no Flamengo um dia. Alegam que a sensação de entrar em campo com uma torcida de massa deve ser incrível. Quando Lamartine disse em suas palavras “Uma vez Flamengo, sempre Flamengo”, ele sabia que os flamenguistas eram uma raça que não largava do pé do time nem por decreto. Como sarna.

Estive presente em alguns jogos do Flamengo este ano, e repudiei a ação imbecil de gente que vaiava um jogador em pleno jogo, às vezes mesmo em meio à uma vitória. É que no Flamengo não tem espaço para palhaçadinha, palavras de Joel Santana. Para jogar, tem que gostar. É difícil para eu e você, assalariados, acreditar, mas existem sim profissões em que a alegria de trabalhar é maior do que o pagamento no fim do mês. Principalmente quando sua renda ultrapassa a de um país como Trindad e Tobago. Prova disso é um time manter o primeiro lugar (2008) por 10 rodadas com 3 meses de salário atrasado.

Pense em uma briga entre marido e mulher. Precisa acontecer, certo? Senão valores não são relembrados e o amor não é fortalecido. A mesma coisa por incrível que pareça acontece com a torcida do Flamengo e seus torcedores. A torcida, como a esposa que por um pequeno detalhe arranja uma enorme briga e o time como o marido que prova seu amor a cada instante. Isso fortalece a relação e dá aos jogadores a vontade de provar à torcida e a si mesmo o valor que tem e que pode oferecer.

E a zona do clube, Phill? Fala da zona, vai!

Quer saber um dos principais motivos que faz o Flamengo de vez em quando meter os pés pelas mãos? Exatamente o sentimento. Felizmente ou infelizmente temos no poder amantes rubro-negros, que às vezes colocam o amor ao time à frente de decisões administrativas importantes. Tem sido assim durante anos. O papo de transformar o clube em empresa tem como ponto forte justamente eliminar o fator paixão de dentro das paredes comerciais e deixa-la dentro de campo. Apenas.

Como que um clube totalmente zoneado como o Flamengo consegue essas arrancadas fenomenais?

Não entra no time aquele que não honra a camisa. E os que entram não demoram a sair. O Flamengo reinventou o significado de manto sagrado, e muitos times vem utilizando copiosamente. Mas são muitos os botafoguenses, colorados, atleticanos e etc convertidos em flamenguistas depois de experimentarem o NOSSO manto sagrado.

E hoje as arrancadas acontecem principalmente porque a cobrança da torcida é maior. A maioria dos rubro-negros desta geração, entre torcedores e jogadores, não viu o time triunfante em um campeonato de grande porte. E querem ver. Para eles, a estigma de candidato fixo a rebaixamento já passou, agora resta superar a imagem de cavalo paraguaio que caiu sobre o time nos últimos anos. O torcedor quer ver taça. E acredite, os jogadores também.

Quer fazer um time ter vontade de sacodir a poeira e dar a volta por cima? Antes de tudo crie uma família. Faça como times de três cores que alimentam o rodízio de jogadores e o 14º jogador do time, “a paixão pela camisa”, nunca vai existir. (ok, pequena provocação, rs)

Um brinde aos jogadores que habitam a Gávea até hoje e sonham com o caneco nas mãos em dezembro de 2009. E como diz Arthur Muhlenberg, chega de humildade. Eu acredito na taça.

Fellipe dos Santos, o Phill, é flamenguista colaborador do Fla&News e responde a qualquer dúvida que exista sobre o Mais Querido.

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4 comentários

  1. Desculpe pelo texto um tanto longo… rs


  2. No dia em que organizarem o Flamengo, estraga

    É meu povo, o Andrade conseguiu resgatar o espírito de 81 em um time que tem um puta centroavante cachaça e um cérebro velhinho ainda com suíngue. Mesmo jogando mal o Flamengo está ganhando. Bye, bye suínos. Agora é no Photochart. Camisa: Flamengo. Experiência: São Paulo.

    E realmente me pergunto o que acontece com o Flamengo. Arranca para uns títulos que ninguém, nem eles, sabem direito o que acontece. A força da torcida, possivelmente e todo esse entorno que pira o cabeção dos boleiros. Se bem que o que o Flu está fazendo hoje periga entrar para a antologia da bola. Certamente um (ou dois) tributo a uma visão falida do esporte.


  3. Que campeonato!


  4. Como o meu segundo paragrafo está mal escrito! Que horror.



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