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Coluna do Carlinhos

27/11/2009

Amor ao Tricolor

Nas peladas, eu sempre preferi jogar pelo time mais fraco. Me dava motivação para jogar com mais vontade, mais intensidade. Para que o sabor da vitória fosse ainda mais gostoso. Detesto ser o favorito.

Não foi isso que me levou a torcer pelo Flu, mas as façanhas dos “timinhos” tricolores, com seu jogo solidário e de muita garra, foram me encantando com o passar dos anos. Quanto maior o desafio, mais fundo cala o sentimento de ser tricolor. E a torcida, ah… ainda mais depois de 2006, quando houve uma nítida mudança de comportamento, fielmente retratado na calorosa recepção ao time ontem à noite no aeroporto Tom Jobim. Os amigos foram, eu não pude. Só de ver o vídeo me emocionei.

Comentário de um que esteve ontem lá, que eu subscrevo inteiramente: “Quando fui ao banheiro, um desavisado comentou com outro: ‘Porra, imagina se tivessem ganho’. Eu respondi que, se tivesse ganho, eu não estaria ali. É difícil um terceiro entender esssa paixão que vem de dentro, este sentimento verde branco e grená”.

Não quero os jogos fáceis. Apesar de simpático, não quero jogar contra o Olaria. Quero jogar contra São Paulo, Flamengo, Cruzeiro… porque o lugar do Fluminense é entre os grandes, sempre calçando as sandálias da humildade. Deixemos o oba-oba e a falação desmedida para outro endereço, vizinho ao Jockey.

Sobre o jogo de Quito, pouca coisa. Só vi heróis com a camisa tricolor, com as pernas arqueadas e fraquejantes, os pulmões sôfregos tentando puxar o oxigênio para dentro. Como disse o Professor Turíbio Leite de Barros, um dos maiores nomes da fisiologia do esporte: “Jogar na altitude de Quito é DESLEAL”. Francamente? Se eu sou jogador da LDU, teria vergonha de comemorar efusivamente. Por bater no mais fraco? No desabilitado? Como se a altitude não existisse ou influenciasse? A altitude é um doping “reverso”, que desabilita os adversários. Contra um bom time como esse da LDU é quase covardia. Mas, regras aceitas, jogo jogado.

Quarta-feira vou lá para aplaudir um dos mais corajosos times tricolores em todos os tempos. Não importa se daqui a um mês ele não existir mais. Não importa se a maldita LDU levantar o caneco. Não importa se o Flu cair. Ganhar um título é um mero detalhe quando o Fluminense entra em campo. Eu tenho orgulho deste time, na vitória ou na derrota.

Domingo é a nossa vida e na quarta vou com vontade redobrada, para fazer história.

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3 comentários

  1. É Carlinhos, pouco são os que entendem que os momentos que um time mais precisa do “colo” de sua torcida são os momentos de maior dificuldade!

    São nesses momentos que o verdadeiro amor faz a diferença!

    Belo texto!
    Sorte ao Flu!


  2. Vamos precisar! Valeu!


  3. A quem interessar possa, um comentário de um tricolor da Flusócio – Paulo é o nome dele.

    O que aconteceu ontem à noite no Galeão extravasou o futebol, não se restringe à relação jogadores/torcida.
    Foi muito além disso, muito mais bonito e profundo.
    Só uma torcida como a do Fluminense poderia escrever uma página dessas na história do futebol, que às vezes a gente acha já ter se esgotado.
    Parabéns a todos os tricolores que estiveram lá.
    Parabéns a todos que de alguma forma idealizaram ou incentivaram aquele movimento, que pode ser muito mais importante para a história e a identidade do clube do que estamos pensando.



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