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Espaço Phill

18/02/2009

 obina
Eu tive um bicho de estimação uma vez. Era um papagaio. Ganhamos o penoso, ainda sem penas, parecia um rato. Tínhamos que alimentá-lo com uma colher de chá, uma espécie de papinha feita com farinha, água e alguma coisa mais.

Em casa era a sensação. Todo mundo que chegava de fora, queria ver o papagaio. Queria ver ele fazer as brincadeiras, as peripécias. Trouxe uma alegria a mais à casa, proeza que só ele conseguiu fazer. O danado falava, cantava e repetia. Virou xodó. Era sempre pauta de conversa.

Só que um dia ele cresceu, cresceu demais. Estava cansado de falar, descia do poleiro e arranhava todos os móveis da casa com o bico e as unhas, estava ficando chato. Ninguém mais perguntava por ele ou dedicava seus minutos à ver suas brincadeiras.

Minha irmã então comprou uma cadelinha. Uma poodle do tamanho da palma da minha mão. Uma bola de pelos branca com um laço na cabeça. Pra todos que chegavam, virou sensação. Cachorro a gente vê em todo lugar, mas filhote não tem jeito, chama a atenção. E quando começa a fazer seus primeiros truques, ganha a preferência das pessoas. De todos.

Aos poucos o papagaio foi perdendo espaço, até que não se lembravam mais das inteligentes frases que dizia, das palavras que memorizava e gritava pela casa. Era a vez da poodle.

Nossa empregada doméstica pediu demissão e com ela levou o papagaio junto. Afirmava que em sua residência poderia cuidar bem dele, já que havia desenvolvido um carinho maior pela ave uma vez que passava mais tempo com o bichinho do que nós, que saímos sempre para trabalhar.

Desde então pouco se ouve falar da moça e do papagaio. Vez em nunca, cruzamos com ela na rua, que dá notícias do bicho, que pelo que soube não fala mais e não impressiona mais ninguém. A cachorrinha? Continua com a gente, cada vez maior e mais velha, mas continua com a gente.

Esse texto aos olhos de um torcedor comum pode parecer loucura, devaneio, esquizofrenia. Mas para o torcedor rubro-negro qualquer semelhança com Obina e Josiel não é mera coincidência.

Este texto é um alerta ao Cuca, que não admite que a fase de um “xodó” dura pouco, mas que a de um verdadeiro jogador dura, cresce e floresce. Obina é um ícone folclórico do time, e sempre vai ser, mas não quer dizer que ele é sempre um bom jogador. Ele tem os seus momentos. Este não é o dele. E se insistir muito, logo logo vai perder a preferência para um poodle com fome de atenção.

Fellipe dos Santos, o Phill escreve esta coluna semanal para o FLANEWS, com saudade do antigo papagaio.

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4 comentários

  1. Na minha opinião é importante até pensar em preservar o Anjo Negro. A torcida precisa entender que não será o Jesuel que vai resolver o problema.


  2. Outro dia vi um bando de Anjos Negros se servindo de uma carcaça de boi na beira da estrada. Devia estar gostoso!

    Falando sério: Obina ou Josiel vão funcionar melhor se o Fla escalar um meio de campo um pouco mais ofensivo, ou que enconste mais no ataque. O atque depende dos laterais e o Moura ainda não entrou em jogo…

    E, afinal, a pergunta que não quer calar: O que faz Kleberson na Gávea?


  3. carlinhos, o kleberson deve saber que o flamengo é uma ótima vitrine (infelizmente) para um futebol de melhor remuneração… como está chegando na idade que ninguem quer, deve ser por isso que está aguentando o banco de reservas por tanto tempo…


  4. Ele e o jonatas são duas coisas mal resolvidas no elenco do fla. São sempre foco de insatisfação, tanto de um lado, como de outro.



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