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Viagens da Bola

17/09/2008

 

Estamos lançando a coluna “Viagens da Bola” que tem o objetivo de mostrar o fanatismo, o encantamento e as coisas do futebol nos estádios do mundo. Como o povo de cada lugar se comporta num dia de jogo, como são os cantos das torcidas, os detalhes dos estádios, enfim. Se você já viajou para o exterior ou pelo Brasil mesmo e assistiu jogos de futebol em algum lugar que não seja o seu jogo “em casa”, escreva um email pra gente. Conte sua história e nos ajude a ter conteúdo para a coluna.

Ricardo Aquino é publicitário, carioca e rubro-negro. Ele inaugura a coluna “Viagens da Bola” contando a história de um jogo entre Boca Jrs x Independiente na Bombonera, em Buenos Aires.

CONTATO FLANEWS: flanews.wordpress@gmail.com

Boca x Independiente

14/09/2008

Estádio Alberto J. Armando La Bombonera

Como amante do futebol, sempre que viajo, fico atento às curiosidades e eventos futebolísticos do local onde estou.

Cheguei a Buenos Aires no dia 08, um dia após a vitória maiúscula da nossa seleção sobre o Chile.

Fui logo recebido por um simpático porteño, motorista de táxi, que nos levava para o hotel, com comentários positivos sobre a nossa seleção, e com severas críticas ao empate da seleção celeste e branca contra o Paraguay.

Ufa! Ele sequer comentou o nosso merecido chocolate olímpico!

Entre um assado de tira e outro, e entre a dúvida cruel entre uma botella de Catena Zapata 2006, ou um simples, porém delicioso porrón de Quilmes (me recuso a tomar Brahma em Buenos Aires), eu aguardava ansioso o dia do clássico.

 

Chegar a Bombonera em dia de jogo é tão incrível quanto chegar ao Maraca para ver o Mengão.

As ruas tomadas pelas cores do Clube, torcedores animados, gritos de guerra, famílias inteiras, muitas crianças.

Eu já conhecia a Bombonera, mas não em dia de jogo. Havia feito apenas o passeio pelo “Museo de La Passión Boquense” e a visita guiada ao estádio. Todas as minhas expectativas se confirmaram.

O estádio é mítico de fato! Estava lotado, lindo.

Sua estrutura deixa muito a desejar. Por ser um estádio antigo, seus acessos internos são apertados, acanhados, mas a educação e o senso de civilidade da torcida e do povo não deixa que isso se transforme em um problema.

Os bares, na realidade são cafés, com televisões transmitindo a partida, e vendendo muito café. Apenas café e gaseosas.

Em dia de jogo, em um raio de 4 quadras do estádio, é proibida a venda e o consumo de álcool, quatro horas antes e duas horas depois do jogo.

Os banheiros? Ah, os banheiros! Imundos e encharcados de xixi como os nossos.

E eu estava lá, com meus ingressos que davam acesso a platea media, junto com eles e me sentindo um autêntico incha xeneize.

Clássico é clássico!

Jogo difícil, mas bem jogado. Oportunidades para os dois lados.

O visitante começou melhor a partida, tendo duas oportunidades claras até os 10 minutos de jogo, méritos para o Caranta, goleiro do Boca, amado pela torcida.

Logo o Boca Juniors equilibrou as ações perdendo também duas claras oportunidades de gol.

O primeiro tempo acabou assim, com um justo empate.

No segundo tempo o jogo pegou fogo com um golaço, depois de cortar o zagueiro, Rodrigo Palacio abriu o placar para o Boca logo aos 2 minutos de jogo.

A torcida cresceu, mas 3 minutos depois veio o empate do Independiente, causado por uma bobeira do meio campo do time da casa, que perdeu a bola e propiciou um fatal contra ataque para os visitantes.

1×1, logo as 5 minutos de jogo.

Depois do empate o Boca comandou as ações, sobrando para o Independiente alguns contra-ataques perigosos que, em mais duas vezes pararam nas mãos do Caranta.

A partida foi mesmo dos goleiros. Assman, do Independiente fez pelo menos 3 difíceis defesas.

Mesmo com duas expulsões justas do time do Independiente, com direito a  confusão dentro de campo, todos os jogadores cercando o juiz e o bandeira, la concha de tu madrepara cá, Hijo de puta para lá, los rojos conseguiram segurar o resultado até o apito final. 

Destaques positivos: Caranta, Palacio e Vargas [Boca]; Assman e Ledesma [Independiente].

Destaques Negativos: Riquelme (por incrível que pareça ele está longe de ser uma unanimidade entre os torcedores, que o acusam de segurar o jogo, reter a bola, além de creditar a ele os problemas de relacionamento na seleção com Carlito Tevez e Lionel Messi).

A torcida do Boca é realmente contagiante, não pára de cantar um só minuto. Um espetáculo!!!

Cheia de gritos de guerra, uniformizados, alegres e educados.

E ao final, mesmo empatando em casa, contra um arqui-inimigo com menos dois jogadores, aplaudiu de pé!

Longe, longe… De ter a força da Nação Rubro-Negra, mas me atrevo a dizer: LA INCHA DE BOCA ES LA SEGUNDA MAS BELA INCHA DEL BRASIL!

 

 

 

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4 comentários

  1. Ricardo: Se vamos falar de rivalidade em nível mundial, não podemos deixar de citar o clássico Boca x River. Certa vez assisti um programa no SporTV sobre essa rivalidade e um torcedor do Boca disse: O caixão dos defuntos torcedores do River são furados embaixo. Eis que o reporter perguntou porquê? E o torcedor respondeu: Para os vermes sairem pois nem os vermes os suportam. Abs


  2. Po, jogaço! Ao ler, fiquei com a maior vontade de ir a Buenos Aires.
    Eu posso escrever sobre o jogo do fla que assisti em Ipatinga esse ano. Vale?


  3. Belo post Ricardo, muito boa sua historia , relamente ver um jogo na Bombonera deve ser demais , so conheco do mesmo tour que voce fez. Parabens e obrigado por ajudar o blog com essa historia marcante.
    Marcelo Pucheu


  4. É realmente muito legal, quanto aos clássicos, se River e Boca é o FlaxFlu deles, Boca e Independientes é o Flamengo X Botafogo.
    De uma coisa tenho certeza, irei a Bombonera mais vezes, abraços!



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