Estava de férias na Europa, não havia programado nada. Eu só ia passar 3 dias em Portugal, e tinha muito a ver em Lisboa nesse curto espaço de tempo. Mas um casal de amigos brasileiros que moram lá me convidou para assistir a partida. Seria no dia seguinte: Eliminatórias da Copa – Portugal versus Dinamarca. O ingresso custava apenas 10 euros, e a partida aconteceria às 19h, o que não atrapalharia meus planos de turista na cidade. Ou seja, não havia como recusar o programa, não é todo dia que se vê uma partida internacional, ainda mais entre seleções.
Dia seguinte, dia do jogo. Pegamos o metrô e descemos em frente ao estádio. Muito movimento, similar ao Brasil – vendedores com bandeiras, cachecóis (apesar do calor), muita gente para todos os lados procurando o portão correto. Fila e uma certa confusão, demoramos a conseguir entrar, perdemos o hino e os 5 minutos iniciais de jogo. Chegando na cadeira numerada, maravilha! O estádio é novo, foi construído para a EUROCOPA 2004 e pertence ao Sporting de Lisboa. Tinha um bom público, e eu fiquei atrás do gol da Dinamarca no primeiro tempo. A torcida começou empolgada, com “ollas”, gritando “Pur-tu-gal, Pur-tu-gal”, vaiando a Dinamarca. E o adversário realmente era muito fraco.
Mas a Seleção Lusitana não conseguia desempenhar um futebol empolgante. Insistia em jogadas aéreas, as quais os altos zagueiros nórdicos neutralizavam com facilidade, e dependia muito do brilhantismo em rompantes inconstantes de Deco, já que o ídolo Cristiano Ronaldo desfalcava a seleção. Passou-se quase todo o primeiro tempo e nada. Até que numa jogada sem envolvimento direto de Deco, Nani fez o primeiro gol, aos 41 min. Alegria total, final de 1º tempo em alto-astral. Finalmente chega o intervalo. As pessoas vão comprar cachorros-quentes, bebidas (não-alcoólicas), banheiro, tudo com muita tranquilidade.
Recomeça o jogo, muito morno. Portugal insiste nos erros, perde alguns gols, a Dinamarca não joga bem também, e a torcida foi se desmotivando, inclusive eu. Aos 35 minutos resolvemos ir embora para não pegar metrô cheio e chegar cedo em casa, para aproveitar o dia seguinte. Ainda dentro do estádio, vimos duas jogadas de perigo pelos televisores nos corredores. Assim, eu fui dormir imaginando aquele 1×0 morno, prevendo as capas dos jornais do dia seguinte aqueles clichês futebolísticos falando que Portugal era líder do Grupo, e com essa vitória manteria-se assim – “vence mas não empolga”.
Pela manhã, meu amigo me comentou que, o jogo que vimos até 38 min em 1×0, teria terminado em 2×3 para a Dinamarca! Mas ele não tinha certeza. Ao longo do dia, confirmamos a informação, e soubemos que perdemos os 10 minutos de jogo mais intensos dos últimos tempos. Fiquei triste, mais pela derrota da “Seleção-irmã” do que por não ter visto esse legítimo fado lusitano em campo nos últimos instantes. No final, foi tudo muito “giro*”.
* Giro = legal (tradução do português-PT para o português-BR)
Quem quiser ver um vídeo do clima da arquibancada, clique aqui.
Rodrigo Conde é brand strategist e turista nas horas vagas. Escreve no FLANEWS a convite da administração. A coluna Viagens da Bola é aberta a qualquer leitor do blog que queira contar sua história de assistir um jogo de futebol “fora de casa”. Quem se interessar a escrever, mande-nos um email para flanews.wordpress@gmail.com










