Vamos do começo
2009. Ano novo. Chega Alexandre Faria para gerenciar o futebol tricolor. No currículo, 6 anos de uma desastrada gestão à frente do Atlético-MG, incluindo um rebaixamento e uma demissão sob a acusação de que sendo também empresário de jogadores, não teria isenção para ocupar o cargo e que havia instalado uma “quadrilha” no clube.
Com este senhor, o Fluminense inicia mais uma vez uma reformulação total do time, deixando apenas 3 titulares do time do ano passado. Plano arriscado, eu previ que o time pegaria conjunto depois de junho, o que não aconteceu até hoje. Ao invés de agradecer ao René Simões e procurar outro técnico para estruturar o elenco, foram com ele, para demiti-lo logo em seguida.
Com este arranjo, a direção do Fluminense (Horcades, Tote) começa a colidir com Celso Barros (Unimed). Mas nessa hora não faltou recurso para trazer o cupincha do Faria, o também mineiro Fred, por 400 mil por mês e o bichado Leandro Amaral por 250 mil. Caso emblemático foi o lateral Leandro, que após uma boa temporada pelo Palmeiras, não jogou nada e foi repassado ao Vitória, dizendo-se sem ambiente no Rio. O que se sabe hoje é que de janeiro a março, ele não recebeu um tostão de salários, que continuam atrasados até hoje, foco de insatisfação do elenco.
A chegada de Parreira
Com o fiasco no carioca, apesar do altíssimo investimento, chega o Parreira – depois de trabalhos fracassados nas seleções de Brasil e África do Sul – com seus conceitos obsoletos e aquela pasmaceira à beira do gramado. Não teve o pulso para barrar jogadores como Edcarlos, Mariano e Wellington Monteiro, artífices de trocentos gols levados pela defesa do Flu. Com a chegada do Parreira (salário: 500 mil), saem de cena o Celso Barros e seus petrodólares, deixando um elenco capenga e órfão de novas contratações.
Com a invasão da torcida num treino e tiros disparados pelo segurança do FH (Frango Humano), começa a ficar mais visível o racha na direção. A barração de FH com certeza não foi obra do Parreira, mas sim de seus superiores e ele até merecia, pois trata-se de um jogador que financia a torcida (Young Flu) para receber aplausos.
Nova gerência para o futebol
Após outra série de fiascos com o Professor Pé-de-Uva, Horcades e Celso fumam o cachimbo da paz, trazendo de volta a menina dos olhos do patrocinador – Renatão Gaúcho - e o Boneco de Marshmallow (Branco), que ao final das contas, é menos pior que o Faria e tem total identidade com o clube. Junto, veio o dinheiro para novas contratações, que não param de chegar e um churrasqueiro querido da boleirada, Valdir Espinosa, para ser um pseudo coordenador técnico.
Mas o racha estava exposto. De um lado, Horcades (que é torcedor do Náutico Capibaribe), seu vice e financiador de sua campanha, Tote Menezes (nunca o vi dar uma entrevista ou aparecer no Maracanã), a turma que os colocou lá, Marcelo Fischel, que há muito domina Xerém e o destino dos jovens craques feitos no Flu. Do outro, Celso, Renato, Branco e o Dr. Michael Simoni. No meio, um time inseguro, desarticulado e repleto de valores duvidosos.
O episódio Urrutia
Depois do episódio do tiroteio, o Tote resolve tirar o time das Laranjeiras sob pretexto de falta de estrutura e leva para um local pior, o CFZ, que além de muito distante, não conta com estrutura adequada e aumenta as despesas mensais do clube falido. E disposto a bater de frente com seus desafetos, demite sumariamente o competentíssimo Dr. Simoni, usando como desculpa o episódio da contratação de Urrutia, que aconteceu da seguinte forma: Dr. Simoni examina-o e constata que só em um mês pode jogar. Tote, que não queria mais um jogador da Unimed, apressou-se em vetar a contratação. Celso, Renato e Branco, perguntaram ao Dr. se poderia recuperá-lo. O Dr. disse que sim, que após uma intervenção estaria treinando em 15 dias. Feita a operação, muito bem sucedida, o Tote demite o Simoni, por vaidade, simples assim. Enquanto isso o omisso Horcades jamais se manisfestou, a não ser para tentar barrar a volta do Renato. Que já andou se estranhando com o Branco, e este com o Tote.
O cometa Renato
Renato, por sua vez, apesar de uma campanha pior do que a do Parreira, foi o menos culpado. Pegou o barco já afundado, com um elenco pobre e dividido por conta dos privilégios do Fred (quarto individual nas concentrações, tratamento em BH, longe do grupo) e atrasos de salário (alguns recebem pelo clube, outros pelo patrocinador). Não resistiu. E creio que o patrocinador tenha dado um bilhete azul amigo, poupando-o de bater o recorde de rebaixamentos. Foram-se também o churrasqueiro e o preparador.
E chega o Cuca
Cofre aberto, chegaram as caras novas, mas parece ser tarde demais. Dentre elas algumas conhecidas como a do Cuca, que apesar de uma reconhecida competência, sofre para administrar elencos, ainda mais um em crise total. Vai enfrentar resistência na arquibancada e talvez internamente, visto que foi criticado pelo elenco ano passado. Aproveito para comentar a reportagem do Globoesporte.com, que transformou o Cuca em vilão da Gávea e o Leo Moura e Juan em santinhos. Não posso crer que o Cuca tenha sido tão incorreto. Para mim, a segundona começa hoje, com a chegada do Prof. Pardal e seus esquemas loucos. Me parece ser o técnico disponível com perfil de segunda divisão. A lamentar, a postura derrotista do Tote, ao já anunciar férias antecipadas em caso de descenso. Torcedor tem todo o direito de achar que já caiu. Ele não. Tem que planejar a segundona agora, mas sem admitir a derrota iminente. Questão de moral. Segue a nau sem rumo. Ah! E já perderam 2 dias de treinamento em Itu… que planejamento…
Ontem surgiu a notícia que o conselho se move em direção ao impeachment do Horcades. Situação delicada, onde a emenda pode sair pior que o soneto. A renúncia não pode ser descartada. Basta uma fagulha para gerar o caos institucional. A coisa ferve nas Laranjeiras.
Sou tricolor de coração… sou do clube da segunda divisão…
Carlos Clark sofre pelo Fluminense e não se ilude com números e probabilidades nem por um segundo. Já viu coisa pior, por incrível que pareça. Colabora com a Fla&News com notícias do mundo tricolor